Talvez uma das experiências mais difíceis da migração seja descobrir que dois sentimentos aparentemente opostos podem existir ao mesmo tempo.
Você pode gostar profundamente da vida que construiu no exterior e sentir uma saudade imensa do Brasil.
Pode sentir-se realizado profissionalmente e sofrer por não acompanhar o crescimento dos sobrinhos.
Pode gostar da segurança e das oportunidades do novo país e sentir falta de conversar na própria língua.
Pode construir novas amizades e ainda sentir falta daqueles que conhecem sua história sem que você precise explicá-la.
Quando acreditamos que precisamos escolher um lado
O sofrimento aparece quando acreditamos que precisamos escolher um dos lados:
“Se sinto falta do Brasil, talvez eu não devesse estar aqui.”
Ou:
“Se estou feliz aqui, não deveria sentir tanta saudade.”
Mas talvez nenhuma dessas conclusões seja necessária.
Na ACT, podemos compreender que uma vida significativa não é necessariamente uma vida sem emoções difíceis. Frequentemente sentimos justamente porque algo importa.
A saudade pode falar sobre vínculos. A tristeza pode falar sobre pertencimento. A dificuldade de despedir-se pode revelar o valor das relações que construímos.
Uma pergunta diferente
Em vez de perguntar apenas “como faço para não sentir isso?”, podemos começar a perguntar:
“O que essa emoção diz sobre aquilo que é importante para mim?”
Essa mudança de perspectiva não elimina a saudade. Mas pode transformar nossa relação com ela.
Porque viver entre culturas talvez não seja encontrar um lugar onde finalmente deixaremos de sentir falta do outro.
Pode ser aprender a construir uma vida suficientemente ampla para que as nossas diferentes histórias possam caber dentro dela.

