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Quando voltar para o Brasil começa a parecer a única solução

Em alguns momentos da experiência de viver no exterior, voltar para o Brasil pode começar a parecer a única maneira de fazer o sofrimento parar.

Isso pode acontecer depois de um período de solidão, dificuldades com a língua, problemas profissionais, conflitos familiares, sensação de não pertencimento ou simplesmente após meses tentando se adaptar a uma realidade que continua exigindo muito emocionalmente.

Então surge o pensamento:

“Talvez eu só precise voltar.”

Pensar em retornar não significa que você fracassou. E permanecer no exterior também não precisa ser uma prova de força ou sucesso. O ponto importante é compreender o que está por trás dessa vontade.

Em períodos de sofrimento intenso, nossa mente tende a procurar soluções rápidas para reduzir o desconforto. O retorno pode começar a ser imaginado como um lugar onde a solidão desaparecerá, as relações voltarão a ser como antes e a sensação de pertencimento será imediatamente recuperada.

O país que deixamos também continua mudando

Mas o país que deixamos também continua mudando. As pessoas seguem suas vidas, os vínculos se transformam e nós mesmos já não somos exatamente a mesma pessoa que partiu.

Por isso, a decisão entre ficar ou voltar raramente é simples.

Na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), uma questão importante não é apenas descobrir qual escolha fará o desconforto desaparecer, mas compreender qual direção está mais conectada aos valores, às necessidades e ao projeto de vida daquela pessoa.

Não se trata de encontrar a solução que elimina a dor, mas a direção que faz sentido para a sua vida.

Isso pode envolver perguntas como:

  • O que está me fazendo querer voltar?
  • Do que estou tentando me aproximar?
  • Do que estou tentando fugir?
  • O que realmente importa para mim neste momento da minha vida?

Não existem respostas universais.

Uma escolha coerente com o que se valoriza

Para algumas pessoas, retornar ao Brasil pode representar uma escolha profundamente coerente com aquilo que valorizam.

Para outras, a vontade de voltar pode aparecer principalmente nos momentos de maior sofrimento e diminuir quando novos vínculos e recursos são construídos.

O objetivo não é convencer alguém a ficar nem a voltar. É criar espaço para que uma decisão tão importante não seja tomada apenas para escapar de uma emoção difícil.

Talvez a pergunta deixe de ser “onde eu deveria viver?” e passe a ser:

“Que vida quero construir — e quais escolhas podem me aproximar dela?”

Entre ficar e voltar existe uma história, uma identidade e muitos afetos.

E compreender tudo isso com cuidado pode ajudar a transformar uma decisão impulsionada pelo sofrimento em uma escolha mais consciente e conectada ao que realmente importa.